Pular para o conteúdo

Redes neurais, deep learning e processamento de linguagem natural

Prioridade Média 16 min de leitura Status: Não visto Lido Praticado Dominado

Do zero

Um neurônio artificial é uma balança de pesos. Ele recebe alguns números, multiplica cada um por um peso (quanto aquele número importa), soma tudo, acrescenta um ajuste fixo (o viés) e passa o resultado por uma função de ativação, que decide o quanto o neurônio “dispara”.

Uma rede neural é um conjunto desses neurônios em camadas: a de entrada recebe os dados, as ocultas transformam, e a de saída dá a resposta (“é nota fiscal”, “é contrato”). Treinar a rede é ajustar os pesos até ela errar pouco: a rede faz um palpite, mede o erro, descobre para que lado mexer cada peso e dá um pequeno passo nessa direção. Repete isso milhões de vezes.

Deep learning (aprendizado profundo) é usar redes com muitas camadas ocultas. Cada camada aprende algo um pouco mais abstrato: numa foto, a primeira percebe bordas, a seguinte formas, a seguinte objetos.

E o processamento de linguagem natural (PLN) é fazer o computador trabalhar com texto e fala humanos: classificar denúncias, achar nomes e CNPJs em contratos, traduzir, resumir, responder perguntas.

Frase para guardar: neurônio soma entradas com pesos e passa por uma ativação; treinar é ajustar pesos pelo erro (retropropagação); deep learning são muitas camadas; PLN é a máquina lidando com linguagem.

Em 1 minuto

  • Treinamento: a função de perda mede o erro; a retropropagação (backpropagation) calcula, de trás para frente, quanto cada peso contribuiu para ele; o gradiente descendente ajusta os pesos em pequenos passos, controlados pela taxa de aprendizado. Uma passada por todos os dados de treino é uma época.
  • Funções de ativação dão à rede a capacidade de aprender relações não lineares: ReLU (zero para negativos, o próprio valor para positivos), sigmoide (entre 0 e 1), tanh (entre −1 e 1) e softmax (na saída, transforma as notas em probabilidades de cada classe).
  • Perceptron de uma camada só separa classes por uma reta e não resolve o OU exclusivo (XOR); a rede multicamada (MLP) resolve.
  • Arquiteturas: CNN (convolucional, com filtros que deslizam sobre a imagem; visão computacional), RNN e LSTM (sequências, com memória do passo anterior) e Transformer (atenção sobre a sequência inteira, em paralelo; base dos LLMs).
  • Problemas e remédios: overfitting (dropout, parada antecipada, mais dados) e desaparecimento do gradiente em redes profundas (ReLU, LSTM, conexões residuais).
  • PLN clássico: tokenização, minúsculas, remoção de stopwords (de, a, o), stemming (cortar até um radical, que pode não ser palavra: “auditorias”, “auditor” → “audit”; o radical exato depende do algoritmo) ou lematização (forma de dicionário: “auditou” → “auditar”), bag-of-words e TF-IDF.
  • PLN moderno: embeddings (palavras de sentido parecido ficam com vetores próximos) e modelos Transformer: os do tipo BERT (codificador, bons para entender e classificar) e os do tipo GPT (decodificador, bons para gerar texto).

Exemplo concreto: um neurônio e a triagem de denúncias

Um neurônio, com números. Entradas: 1 (a empresa tem menos de seis meses) e 0,5 (índice de preços acima da média). Pesos: 0,8 e −0,4. Viés: −0,2.

soma = 1 × 0,8 + 0,5 × (−0,4) + (−0,2) = 0,8 − 0,2 − 0,2 = 0,4
ReLU(0,4)     = 0,4      (positivo: passa igual)
sigmoide(0,4) ≈ 0,60     (lido como 60% de chance, se for a saída de uma classificação)

Treinar é descobrir os pesos e o viés que fazem a rede acertar nos casos já conhecidos e, principalmente, nos novos.

A triagem de denúncias da Ouvidoria. Chegam centenas de denúncias por mês, e cada uma precisa ir para a unidade certa: licitações, pessoal ou obras.

  1. Pré-processamento: dividir em tokens, passar para minúsculas e tirar as stopwords.
  2. Representação clássica, TF-IDF: cada palavra ganha um peso alto se aparece muito naquela denúncia e pouco nas demais. “Dispensa” e “pregão” pesam numa denúncia de licitação; “de” e “que” não pesam em nenhuma. Um classificador (como a regressão logística) aprende a separar os assuntos.
  3. Representação moderna: um modelo Transformer do tipo BERT, já treinado em português, é ajustado com algumas centenas de denúncias rotuladas. Ele entende que “contratação sem concorrência” e “dispensa indevida” falam da mesma coisa, mesmo sem palavras em comum.
  4. Extração de entidades (NER): de cada denúncia saem automaticamente o município, o CNPJ citado e as datas, que alimentam o painel da Ouvidoria.

Comparação: arquiteturas, ativações e técnicas de PLN

Arquitetura Ideia Uso típico
Perceptron Um neurônio, separação linear Problemas simples; não resolve XOR
MLP (multicamada) Camadas totalmente conectadas Dados em tabela
CNN (convolucional) Filtros que deslizam e detectam padrões locais Imagens, documentos digitalizados
RNN e LSTM Memória do que veio antes na sequência Séries temporais, texto (antes dos Transformers)
Transformer Atenção: cada elemento considera todos os outros Linguagem natural, LLMs, também imagens
Ativação Saída Onde aparece
ReLU 0 para negativos; o próprio valor para positivos Camadas ocultas (a mais comum)
Sigmoide Entre 0 e 1 Saída de classificação binária
Tanh Entre −1 e 1 Camadas ocultas, RNNs
Softmax Probabilidades que somam 1 Saída com várias classes
Técnica de PLN O que faz Exemplo
Tokenização Divide o texto em unidades “O auditor chegou” → O / auditor / chegou
Remoção de stopwords Tira palavras muito comuns e pouco informativas de, a, o, que
Stemming Corta até um radical, que pode não ser palavra auditorias, auditor → “audit”
Lematização Leva à forma de dicionário auditou, auditando → auditar
TF-IDF Pesa a palavra pela frequência no documento e pela raridade no conjunto “pregão” pesa; “de” não
Embeddings Representa palavras ou frases por vetores de significado “dispensa” perto de “contratação direta”
NER Reconhece entidades nomeadas Empresas, CNPJs, datas, valores

Como a FCC cobra

O funcionamento do neurônio artificial (pesos, viés, ativação), o treinamento por retropropagação e gradiente descendente, as arquiteturas (CNN para imagem, RNN e Transformer para sequência) e as tarefas e técnicas de PLN.

  • Funções de ativação e o papel da não linearidade.
  • Perceptron e o problema do XOR.
  • Overfitting e dropout; desaparecimento do gradiente.
  • Stemming × lematização; TF-IDF; embeddings; NER.
  • BERT (entender) × GPT (gerar).

Pegadinhas

  • “Um perceptron de uma camada resolve qualquer problema de classificação.” Falso: só separa classes por uma reta (ou plano); o XOR exige uma rede multicamada.
  • “Deep learning e aprendizado de máquina são áreas independentes, sem relação entre si.” Falso: deep learning é um subconjunto do aprendizado de máquina, com redes de muitas camadas.
  • “A retropropagação é a etapa em que a rede faz a previsão.” Falso: a previsão é a propagação para a frente; a retropropagação calcula o gradiente do erro para ajustar os pesos.
  • “Stemming e lematização sempre produzem palavras do dicionário.” Falso: a lematização produz; o stemming só corta até um radical, que pode não ser palavra.
  • “Sem funções de ativação, empilhar camadas aumenta a capacidade da rede.” Falso: sem não linearidade, várias camadas equivalem a uma só transformação linear.
  • “CNNs são a arquitetura usada nos LLMs atuais.” Falso: os LLMs usam Transformers; CNNs são típicas de imagem.

Explique com suas palavras

Explique a um gestor, sem fórmulas, como uma rede neural aprende a classificar denúncias por assunto, e o que o TF-IDF faz com as palavras.

  1. Escreva sem olhar a lição, com frases curtas e um exemplo seu.
  2. Onde travar ou precisar de jargão, há uma lacuna: releia só essa parte.
  3. Compare com a explicação-modelo e reescreva o que faltou.

Fica salva neste navegador.

Comparar com uma explicação-modelo

A rede começa chutando: para cada denúncia, dá um palpite de assunto. Como temos denúncias já classificadas por pessoas, dá para ver se ela errou e por quanto. Aí ela ajusta um pouquinho os seus “botões” internos, os pesos, na direção que diminui o erro. Depois de ver milhares de exemplos e fazer milhares de pequenos ajustes, ela passa a acertar também em denúncias que nunca viu.

O TF-IDF decide quais palavras importam numa denúncia. Uma palavra que aparece muito naquela denúncia, mas é rara nas outras, como “pregão”, recebe peso alto, porque diz algo específico. Palavras que aparecem em todas, como “de” e “que”, recebem peso quase zero, porque não ajudam a diferenciar um assunto do outro.

Teste-se

IA, Ciência de Dados e Automação · Redes neurais e PLN · Inédita, estilo FCC

Questão 1 de 3

Um neurônio artificial recebe as entradas 1 e 0,5, com pesos 0,8 e −0,4, respectivamente, e viés −0,2. Se a função de ativação é a ReLU, a saída do neurônio é

Alternativas

A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.

Toque longo numa alternativa para riscá-la.

IA, Ciência de Dados e Automação · Redes neurais e PLN · Inédita, estilo FCC

Questão 2 de 3

No treinamento de uma rede neural, o algoritmo que calcula, camada por camada e de trás para frente, quanto cada peso contribuiu para o erro, permitindo ajustá-los pelo gradiente descendente, é o(a)

Alternativas

A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.

Toque longo numa alternativa para riscá-la.

IA, Ciência de Dados e Automação · Redes neurais e PLN · Inédita, estilo FCC

Questão 3 de 3

Para classificar imagens de documentos digitalizados, identificando, por exemplo, se cada uma é uma nota fiscal ou um contrato, a arquitetura de rede neural tradicionalmente mais indicada é a

Alternativas

A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.

Toque longo numa alternativa para riscá-la.

Mais duas questões deste tópico estão em Questões.

Flashcards gerados

FrenteVerso
Para que serve a função de ativação? Introduz não linearidade; sem ela, várias camadas equivalem a uma só transformação linear. Exemplo: ReLU nas camadas ocultas; sigmoide ou softmax na saída.
Dropout Técnica contra o overfitting que desliga aleatoriamente parte dos neurônios durante o treino, para a rede não depender de poucos caminhos.
TF-IDF Peso de uma palavra que cresce com a frequência no documento e diminui com a frequência no conjunto de documentos.
Embeddings de palavras Vetores que representam o significado; palavras de sentido parecido ficam com vetores próximos.
Modelos do tipo BERT × GPT BERT é um codificador, bom para entender e classificar texto; GPT é um decodificador, bom para gerar texto.

Ligação com o estudo de caso

Num caso de automação da triagem de documentos ou denúncias, proponha o caminho em etapas: um modelo simples e explicável (TF-IDF com regressão logística) como ponto de partida, um modelo Transformer em português se o simples não bastar, extração de entidades (NER) para preencher os campos e medição com dados de teste (precisão e recall por assunto). Diga também como tratar os erros: os casos de baixa confiança vão para análise humana.

Fontes da lição

  • Edital nº 01/2026, Anexo II, Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Automação (fontes/edital-01-2026.txt).
  • Ian Goodfellow, Yoshua Bengio e Aaron Courville, Deep Learning (neurônios, retropropagação, CNN e RNN).
  • Daniel Jurafsky e James Martin, Speech and Language Processing (tokenização, TF-IDF, embeddings e NER).
  • Ashish Vaswani e outros, “Attention Is All You Need” (2017), origem do Transformer.

Claude explica

Tire dúvidas sobre este tema no Claude: o site copia o pedido com a lição e abre uma conversa nova, na sua conta. Confira na fonte qualquer fato de lei ou de norma.

Pratique fora do site

Faça questões da FCC sobre este tópico no QConcursos ou no Gran e registre aqui quantas fez: elas contam na meta da semana e no status do tópico.

Registrar questões feitas lá
Errei uma questão lá: criar flashcard