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Regência e crase

Prioridade Alta 15 min de leitura Status: Não visto Lido Praticado Dominado

Do zero

Alguns verbos são como tomadas que só aceitam um tipo de plugue. “Gostar” só funciona com de (gosto de café); “obedecer” só com a (obedeço às normas). Essa exigência de preposição se chama regência: é o verbo (ou o nome) que rege, que manda na palavra seguinte.

A crase é consequência disso. Quando o verbo exige a preposição a e a palavra seguinte é feminina e vem com o artigo a, as duas letras se fundem e ganham acento grave: a + a = à. “Refiro-me a + a norma” vira “Refiro-me à norma”.

O truque mais útil: troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer “ao”, havia preposição e artigo, então há crase. “Refiro-me à norma” → “Refiro-me ao regulamento”: crase. “Li a norma” → “Li o regulamento”: sem “ao”, sem crase.

Frase para guardar: crase é a + a; se no masculino der “ao”, no feminino é “à”.

Em 1 minuto

  • Crase obrigatória: preposição a + artigo a (“à norma”); a + aquele, aquela, aquilo (“àquele”); locuções femininas (“às vezes”, “à noite”, “à medida que”); horas (“às 14h”).
  • Crase proibida: antes de masculino, de verbo, de pronome de tratamento (“a Vossa Excelência”) e entre palavras repetidas (“frente a frente”).
  • Crase facultativa: antes de possessivo feminino no singular (“à minha sala” ou “a minha sala”), de nome próprio feminino de pessoa e depois de “até”.
  • Regência que mais cai: assistir (ver) a, obedecer a, proceder (realizar) a, aspirar (desejar) a, chegar a, preferir algo a algo, implicar (acarretar) sem preposição.

Exemplo concreto: o teste do masculino em cinco frases

Frase Troca para o masculino Crase?
O auditor referiu-se à norma. referiu-se ao regulamento Sim
A equipe revisou a norma. revisou o regulamento Não
O ofício foi enviado à diretoria. enviado ao departamento Sim
Começaram a analisar os dados. (verbo não tem artigo) Não
Fomos a Goiânia. — use o teste do lugar, abaixo Não

Teste do lugar: troque “ir a” por “voltar de”. Se voltar da, há crase; se voltar de, não há. “Fui à Bahia” (volto da Bahia); “Fui a Goiânia” (volto de Goiânia). Com um adjetivo, o artigo aparece: “Fui à Goiânia antiga” (volto da Goiânia antiga).

Comparação: obrigatória, proibida e facultativa

Situação Exemplo Regra
a + artigo feminino Obedeço às normas. Obrigatória
a + aquele(s), aquela(s), aquilo Refiro-me àquele contrato. Obrigatória
a + a qual, as quais A norma à qual me refiro. Obrigatória
Locução feminina às vezes, à noite, à medida que, à custa de Obrigatória
Hora determinada A sessão começa às 14h. Obrigatória
“À moda de” subentendido Bife à milanesa. Obrigatória, até antes de masculino
Antes de masculino Pagamento a prazo. Proibida
Antes de verbo A partir de hoje. Começou a chover. Proibida
Antes de pronome de tratamento Entreguei a Vossa Excelência. Proibida (exceto senhora e senhorita)
Palavras repetidas frente a frente, cara a cara Proibida
“a” no singular antes de plural Compareceu a reuniões. Proibida (só há preposição)
Depois de outra preposição Marcada para as 14h; desde as 8h. Proibida
Possessivo feminino singular Fui à (ou a) minha sala. Facultativa
Nome próprio feminino de pessoa Entreguei à (ou a) Ana. Facultativa
Depois de “até” Vou até à (ou até a) sede. Facultativa

Regência verbal: os verbos que a FCC repete

Verbo Sentido Regência Exemplo
assistir ver, presenciar a Assistimos ao treinamento.
assistir ajudar direto O médico assistiu o paciente.
aspirar desejar a Aspira ao cargo.
visar ter como objetivo a O plano visa à segurança.
obedecer, desobedecer — a Obedecer às normas.
proceder realizar a Procedeu-se à auditoria.
chegar, ir movimento a Chegou ao tribunal (não “no tribunal”).
preferir — algo a algo Prefiro revisar a corrigir (não “mais… do que”).
implicar acarretar direto A mudança implica custos (não “implica em”).
pagar, perdoar coisa: direto; pessoa: a — Pagou a fatura ao fornecedor.
informar — algo a alguém, ou alguém de algo Informou o prazo ao gestor. Informou o gestor do prazo.

Regência nominal segue a mesma lógica com nomes: acessível a, compatível com, favorável a, residente em, obediência a, preferível a.

Como a FCC cobra

“O sinal indicativo de crase está empregado corretamente em:” e “A regência está de acordo com a norma-padrão em:”. Os distratores são crase antes de verbo, de masculino e de pronome de tratamento, e verbos com a preposição trocada.

  • Alternativas com crase em lugar proibido (“começou à chover”, “à Vossa Excelência”).
  • Crase com nomes de lugar (Bahia × Goiânia).
  • Verbos com dois sentidos (assistir, aspirar, visar) e o sentido certo no contexto.
  • Pronome relativo com a preposição do verbo (“o cargo a que aspira”).

Pegadinhas

  • “A reunião foi marcada para às 14h.” Errado: depois de “para”, não há crase: “para as 14h”.
  • “Os servidores assistiram o treinamento.” Errado: assistir no sentido de ver pede “a”: “assistiram ao treinamento”.
  • “A política implica em mudanças.” Errado pela norma tradicional que a FCC segue: “implica mudanças”.
  • “Prefiro mais revisar do que corrigir.” Errado: “prefiro revisar a corrigir”.
  • “Fomos à Goiânia.” Errado: volto de Goiânia, então “fomos a Goiânia”.

Explique com suas palavras

Explique a um colega, com um exemplo seu, por que “Refiro-me à norma” tem crase e “Li a norma” não tem. Depois diga por que nunca há crase antes de verbo.

  1. Escreva sem olhar a lição, com frases curtas e um exemplo seu.
  2. Onde travar ou precisar de jargão, há uma lacuna: releia só essa parte.
  3. Compare com a explicação-modelo e reescreva o que faltou.

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Comparar com uma explicação-modelo

A crase é a junção da preposição “a” com o artigo “a”. “Referir-se” exige a preposição “a” (quem se refere, se refere a algo), e “norma” é feminina e vem com o artigo “a”. As duas se juntam: “à norma”. Já “ler” não pede preposição: lemos alguma coisa. Só existe o artigo, então fica “a norma”. O teste do masculino confirma: “refiro-me ao regulamento”, mas “li o regulamento”.

Antes de verbo nunca há crase porque verbo não aceita artigo. Sem artigo, não há o segundo “a” para juntar: “começou a chover”.

Teste-se

Língua Portuguesa · Regência e crase · Inédita, estilo FCC

Questão 1 de 3

O sinal indicativo de crase está empregado em conformidade com a norma-padrão em:

Alternativas

A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.

Toque longo numa alternativa para riscá-la.

Língua Portuguesa · Regência e crase · Inédita, estilo FCC

Questão 2 de 3

A regência verbal está de acordo com a norma-padrão em:

Alternativas

A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.

Toque longo numa alternativa para riscá-la.

Língua Portuguesa · Regência e crase · Inédita, estilo FCC

Questão 3 de 3

Considere as frases: I. Os auditores foram à Goiânia para a reunião anual. II. A equipe voltou à sede do Tribunal depois da vistoria. III. O sistema estará disponível de segunda a sexta-feira. O sinal indicativo de crase está empregado ou omitido corretamente em

Alternativas

A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.

Toque longo numa alternativa para riscá-la.

Mais duas questões deste tópico estão em Questões.

Flashcards gerados

FrenteVerso
Qual o teste mais rápido da crase? Troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer “ao”, há crase. Exemplo: “Refiro-me à norma” → “refiro-me ao regulamento”.
Onde a crase é proibida? Antes de masculino, de verbo, de pronome de tratamento e entre palavras repetidas. Exemplo: “a prazo”, “começou a chover”, “a Vossa Excelência”, “frente a frente”.
Crase com horas? Obrigatória com hora determinada; some depois de outra preposição. Exemplo: “Começa às 14h”, mas “marcada para as 14h”, “desde as 8h”.
“Implica em” ou “implica”? Na norma tradicional, “implicar” (acarretar) é direto, sem preposição. Exemplo: “A mudança implica custos.”
Como usar “preferir”? Prefere-se algo a algo, sem “mais” e sem “do que”. Exemplo: “Prefiro revisar a corrigir.”

Ligação com o estudo de caso

O espelho do estudo de caso desconta erro gramatical, e crase é o erro mais visível. Expressões comuns nas respostas: “à medida que”, “de acordo com a norma”, “em relação à segurança”, “proceder à análise”, “visar à proteção dos dados”. Antes de entregar, aplique o teste do masculino em cada “a” diante de palavra feminina.

Fontes da lição

  • Edital nº 01/2026, Anexo II, Língua Portuguesa (fontes/edital-01-2026.txt).
  • Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova gramática do português contemporâneo (regência e emprego do acento grave).
  • Celso Pedro Luft, Dicionário prático de regência verbal (assistir, aspirar, visar, implicar e proceder).

Claude explica

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