Regência e crase
Do zero
Alguns verbos são como tomadas que só aceitam um tipo de plugue. “Gostar” só funciona com de (gosto de café); “obedecer” só com a (obedeço às normas). Essa exigência de preposição se chama regência: é o verbo (ou o nome) que rege, que manda na palavra seguinte.
A crase é consequência disso. Quando o verbo exige a preposição a e a palavra seguinte é feminina e vem com o artigo a, as duas letras se fundem e ganham acento grave: a + a = à. “Refiro-me a + a norma” vira “Refiro-me à norma”.
O truque mais útil: troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer “ao”, havia preposição e artigo, então há crase. “Refiro-me à norma” → “Refiro-me ao regulamento”: crase. “Li a norma” → “Li o regulamento”: sem “ao”, sem crase.
Frase para guardar: crase é a + a; se no masculino der “ao”, no feminino é “à”.
Em 1 minuto
- Crase obrigatória: preposição a + artigo a (“à norma”); a + aquele, aquela, aquilo (“àquele”); locuções femininas (“às vezes”, “à noite”, “à medida que”); horas (“às 14h”).
- Crase proibida: antes de masculino, de verbo, de pronome de tratamento (“a Vossa Excelência”) e entre palavras repetidas (“frente a frente”).
- Crase facultativa: antes de possessivo feminino no singular (“à minha sala” ou “a minha sala”), de nome próprio feminino de pessoa e depois de “até”.
- Regência que mais cai: assistir (ver) a, obedecer a, proceder (realizar) a, aspirar (desejar) a, chegar a, preferir algo a algo, implicar (acarretar) sem preposição.
Exemplo concreto: o teste do masculino em cinco frases
| Frase | Troca para o masculino | Crase? |
|---|---|---|
| O auditor referiu-se à norma. | referiu-se ao regulamento | Sim |
| A equipe revisou a norma. | revisou o regulamento | Não |
| O ofício foi enviado à diretoria. | enviado ao departamento | Sim |
| Começaram a analisar os dados. | (verbo não tem artigo) | Não |
| Fomos a Goiânia. | — use o teste do lugar, abaixo | Não |
Teste do lugar: troque “ir a” por “voltar de”. Se voltar da, há crase; se voltar de, não há. “Fui à Bahia” (volto da Bahia); “Fui a Goiânia” (volto de Goiânia). Com um adjetivo, o artigo aparece: “Fui à Goiânia antiga” (volto da Goiânia antiga).
Comparação: obrigatória, proibida e facultativa
| Situação | Exemplo | Regra |
|---|---|---|
| a + artigo feminino | Obedeço às normas. | Obrigatória |
| a + aquele(s), aquela(s), aquilo | Refiro-me àquele contrato. | Obrigatória |
| a + a qual, as quais | A norma à qual me refiro. | Obrigatória |
| Locução feminina | às vezes, à noite, à medida que, à custa de | Obrigatória |
| Hora determinada | A sessão começa às 14h. | Obrigatória |
| “À moda de” subentendido | Bife à milanesa. | Obrigatória, até antes de masculino |
| Antes de masculino | Pagamento a prazo. | Proibida |
| Antes de verbo | A partir de hoje. Começou a chover. | Proibida |
| Antes de pronome de tratamento | Entreguei a Vossa Excelência. | Proibida (exceto senhora e senhorita) |
| Palavras repetidas | frente a frente, cara a cara | Proibida |
| “a” no singular antes de plural | Compareceu a reuniões. | Proibida (só há preposição) |
| Depois de outra preposição | Marcada para as 14h; desde as 8h. | Proibida |
| Possessivo feminino singular | Fui à (ou a) minha sala. | Facultativa |
| Nome próprio feminino de pessoa | Entreguei à (ou a) Ana. | Facultativa |
| Depois de “até” | Vou até à (ou até a) sede. | Facultativa |
Regência verbal: os verbos que a FCC repete
| Verbo | Sentido | Regência | Exemplo |
|---|---|---|---|
| assistir | ver, presenciar | a | Assistimos ao treinamento. |
| assistir | ajudar | direto | O médico assistiu o paciente. |
| aspirar | desejar | a | Aspira ao cargo. |
| visar | ter como objetivo | a | O plano visa à segurança. |
| obedecer, desobedecer | — | a | Obedecer às normas. |
| proceder | realizar | a | Procedeu-se à auditoria. |
| chegar, ir | movimento | a | Chegou ao tribunal (não “no tribunal”). |
| preferir | — | algo a algo | Prefiro revisar a corrigir (não “mais… do que”). |
| implicar | acarretar | direto | A mudança implica custos (não “implica em”). |
| pagar, perdoar | coisa: direto; pessoa: a | — | Pagou a fatura ao fornecedor. |
| informar | — | algo a alguém, ou alguém de algo | Informou o prazo ao gestor. Informou o gestor do prazo. |
Regência nominal segue a mesma lógica com nomes: acessível a, compatível com, favorável a, residente em, obediência a, preferível a.
Como a FCC cobra
“O sinal indicativo de crase está empregado corretamente em:” e “A regência está de acordo com a norma-padrão em:”. Os distratores são crase antes de verbo, de masculino e de pronome de tratamento, e verbos com a preposição trocada.
- Alternativas com crase em lugar proibido (“começou à chover”, “à Vossa Excelência”).
- Crase com nomes de lugar (Bahia × Goiânia).
- Verbos com dois sentidos (assistir, aspirar, visar) e o sentido certo no contexto.
- Pronome relativo com a preposição do verbo (“o cargo a que aspira”).
Pegadinhas
- “A reunião foi marcada para às 14h.” Errado: depois de “para”, não há crase: “para as 14h”.
- “Os servidores assistiram o treinamento.” Errado: assistir no sentido de ver pede “a”: “assistiram ao treinamento”.
- “A política implica em mudanças.” Errado pela norma tradicional que a FCC segue: “implica mudanças”.
- “Prefiro mais revisar do que corrigir.” Errado: “prefiro revisar a corrigir”.
- “Fomos à Goiânia.” Errado: volto de Goiânia, então “fomos a Goiânia”.
Explique com suas palavras
Explique a um colega, com um exemplo seu, por que “Refiro-me à norma” tem crase e “Li a norma” não tem. Depois diga por que nunca há crase antes de verbo.
- Escreva sem olhar a lição, com frases curtas e um exemplo seu.
- Onde travar ou precisar de jargão, há uma lacuna: releia só essa parte.
- Compare com a explicação-modelo e reescreva o que faltou.
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Comparar com uma explicação-modelo
A crase é a junção da preposição “a” com o artigo “a”. “Referir-se” exige a preposição “a” (quem se refere, se refere a algo), e “norma” é feminina e vem com o artigo “a”. As duas se juntam: “à norma”. Já “ler” não pede preposição: lemos alguma coisa. Só existe o artigo, então fica “a norma”. O teste do masculino confirma: “refiro-me ao regulamento”, mas “li o regulamento”.
Antes de verbo nunca há crase porque verbo não aceita artigo. Sem artigo, não há o segundo “a” para juntar: “começou a chover”.
Teste-se
Língua Portuguesa · Regência e crase · Inédita, estilo FCC
Questão 1 de 3
O sinal indicativo de crase está empregado em conformidade com a norma-padrão em:
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Língua Portuguesa · Regência e crase · Inédita, estilo FCC
Questão 2 de 3
A regência verbal está de acordo com a norma-padrão em:
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Língua Portuguesa · Regência e crase · Inédita, estilo FCC
Questão 3 de 3
Considere as frases: I. Os auditores foram à Goiânia para a reunião anual. II. A equipe voltou à sede do Tribunal depois da vistoria. III. O sistema estará disponível de segunda a sexta-feira. O sinal indicativo de crase está empregado ou omitido corretamente em
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Mais duas questões deste tópico estão em Questões.
Flashcards gerados
| Frente | Verso |
|---|---|
| Qual o teste mais rápido da crase? | Troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer “ao”, há crase. Exemplo: “Refiro-me à norma” → “refiro-me ao regulamento”. |
| Onde a crase é proibida? | Antes de masculino, de verbo, de pronome de tratamento e entre palavras repetidas. Exemplo: “a prazo”, “começou a chover”, “a Vossa Excelência”, “frente a frente”. |
| Crase com horas? | Obrigatória com hora determinada; some depois de outra preposição. Exemplo: “Começa às 14h”, mas “marcada para as 14h”, “desde as 8h”. |
| “Implica em” ou “implica”? | Na norma tradicional, “implicar” (acarretar) é direto, sem preposição. Exemplo: “A mudança implica custos.” |
| Como usar “preferir”? | Prefere-se algo a algo, sem “mais” e sem “do que”. Exemplo: “Prefiro revisar a corrigir.” |
Ligação com o estudo de caso
O espelho do estudo de caso desconta erro gramatical, e crase é o erro mais visível. Expressões comuns nas respostas: “à medida que”, “de acordo com a norma”, “em relação à segurança”, “proceder à análise”, “visar à proteção dos dados”. Antes de entregar, aplique o teste do masculino em cada “a” diante de palavra feminina.
Fontes da lição
- Edital nº 01/2026, Anexo II, Língua Portuguesa (fontes/edital-01-2026.txt).
- Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova gramática do português contemporâneo (regência e emprego do acento grave).
- Celso Pedro Luft, Dicionário prático de regência verbal (assistir, aspirar, visar, implicar e proceder).
Claude explica
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