Controle de acesso e IAM
Do zero
Pense na portaria do Tribunal.
- Você diz o seu nome na recepção: isso é identificação.
- A recepcionista confere o seu documento com foto: isso é autenticação, provar que você é quem diz ser.
- Ela olha a lista e vê que você pode ir ao 3º andar, mas não ao datacenter: isso é autorização.
- A catraca registra que você entrou às 9h12: isso é auditoria (ou responsabilização).
IAM (Identity and Access Management, gestão de identidades e acessos) é cuidar disso tudo ao longo do tempo: criar o crachá quando alguém é contratado, mudar as permissões quando muda de setor e cancelar no dia em que sai. O maior perigo não é a porta da frente, e sim o crachá de quem saiu há meses e continua abrindo portas.
Frase para guardar: identificar é dizer quem é; autenticar é provar; autorizar é dizer o que pode; auditar é registrar o que fez.
Em 1 minuto
- Fatores de autenticação: algo que você sabe (senha), tem (celular, token, cartão) ou é (biometria). MFA exige fatores de categorias diferentes.
- Modelos de controle de acesso: DAC (o dono do recurso decide), MAC (rótulos definidos por uma política central), RBAC (permissões por papel ou função), ABAC (regras por atributos, como horário, local e cargo).
- Princípios: menor privilégio, necessidade de conhecer, segregação de funções e negar por padrão.
- Ciclo de vida da identidade: criar (admissão), alterar (mudança de cargo), revogar (desligamento) e revisar periodicamente.
- SSO é um login para vários sistemas; federação é confiar no login de outra organização (por SAML ou OpenID Connect).
Exemplo concreto: a servidora que mudou de setor
Ana trabalhava no setor de Pagamentos, com acesso ao sistema de folha. Foi transferida para a Auditoria de TI e recebeu os acessos novos. Ninguém retirou os antigos.
- Agora Ana pode lançar pagamentos e também auditá-los: quebra a segregação de funções.
- Ela acumula acessos de que não precisa: viola o menor privilégio. Esse acúmulo tem nome, privilege creep.
- Com RBAC, a mudança de papel trocaria o pacote inteiro de permissões: sai o papel “Pagamentos”, entra o papel “Auditoria de TI”.
- Uma revisão periódica de acessos (recertificação), em que o gestor confirma o que cada pessoa da equipe precisa, teria detectado o problema.
Comparação: os quatro modelos de controle de acesso
| Modelo | Quem decide | Exemplo |
|---|---|---|
| DAC (discricionário) | O dono do recurso | Você compartilha uma pasta e escolhe quem pode editar |
| MAC (obrigatório) | Uma política central, por rótulos de sensibilidade e níveis de habilitação; o usuário não altera | Documento “secreto” só para quem tem habilitação “secreto” ou superior |
| RBAC (baseado em papéis) | As permissões vão para papéis, e as pessoas recebem papéis | Papel “Auditor” pode consultar contratos; papel “Gestor” pode aprovar |
| ABAC (baseado em atributos) | Regras sobre atributos do usuário, do recurso e do contexto | Pode ver a folha se for do RH, em horário de expediente e na rede interna |
| Fator | Categoria | Exemplos |
|---|---|---|
| Conhecimento | Algo que você sabe | Senha, PIN, resposta secreta |
| Posse | Algo que você tem | Aplicativo autenticador, token, cartão com certificado |
| Inerência | Algo que você é | Digital, face, íris |
Senha mais PIN não é MFA: os dois são “algo que você sabe”. Senha mais código do aplicativo no celular é MFA.
Biometria: dois erros que se equilibram
- FAR (taxa de falsa aceitação): aceitar quem não é. É o erro mais grave para a segurança.
- FRR (taxa de falsa rejeição): recusar quem é. Atrapalha o usuário.
- Deixar o leitor mais rigoroso reduz a FAR e aumenta a FRR. O ponto em que as duas se igualam (CER ou EER) serve para comparar equipamentos: quanto menor, melhor.
Acessos privilegiados
Contas de administrador são o alvo preferido. A gestão de acessos privilegiados (PAM) guarda essas senhas num cofre, libera o acesso só quando necessário e pelo tempo necessário (just-in-time), grava as sessões e exige MFA. Uma regra simples: o administrador usa uma conta comum no dia a dia e a conta privilegiada só para tarefas de administração.
Como a FCC cobra
Autenticação × autorização, fatores de autenticação (o que conta como MFA) e o modelo de controle de acesso descrito num cenário (RBAC e MAC são os mais cobrados).
- Classificar exemplos como algo que se sabe, tem ou é.
- Reconhecer DAC, MAC, RBAC e ABAC pela descrição.
- Princípios: menor privilégio, necessidade de conhecer e segregação de funções.
- FAR × FRR na biometria.
- SSO e federação de identidades.
Pegadinhas
- “Senha e PIN formam autenticação de dois fatores.” Falso: os dois são conhecimento; MFA exige categorias diferentes.
- “Autenticação define o que o usuário pode fazer.” Falso: isso é autorização; autenticação prova a identidade.
- “No MAC, o dono do arquivo define quem acessa.” Falso: isso é DAC; no MAC, a política central manda e o usuário não altera.
- “SSO elimina a necessidade de MFA.” Falso: com SSO, uma credencial abre vários sistemas; protegê-la com MFA fica ainda mais importante.
- “Diminuir a FAR também diminui a FRR.” Falso: uma cai quando a outra sobe.
Explique com suas palavras
Explique a um colega a diferença entre autenticação e autorização e por que senha mais PIN não é autenticação multifator.
- Escreva sem olhar a lição, com frases curtas e um exemplo seu.
- Onde travar ou precisar de jargão, há uma lacuna: releia só essa parte.
- Compare com a explicação-modelo e reescreva o que faltou.
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Comparar com uma explicação-modelo
Autenticar é provar quem eu sou, por exemplo digitando a senha. Autorizar é o sistema decidir o que eu posso fazer depois de saber quem eu sou: posso ler os contratos, mas não aprovar pagamentos.
Autenticação multifator exige provas de tipos diferentes: algo que eu sei, algo que eu tenho e algo que eu sou. Senha e PIN são duas coisas que eu sei. Se alguém espiar a digitação, descobre as duas. Senha mais um código gerado no meu celular é multifator, porque o atacante precisaria também do aparelho.
Teste-se
Segurança da Informação · Controle de acesso e IAM · Inédita, estilo FCC
Questão 1 de 3
Constitui autenticação multifator (MFA) a combinação de
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Segurança da Informação · Controle de acesso e IAM · Inédita, estilo FCC
Questão 2 de 3
No sistema de gestão de processos do Tribunal, as permissões são associadas a funções como “Auditor”, “Gestor” e “Protocolo”, e cada servidor recebe uma ou mais funções conforme o cargo que ocupa. Esse modelo de controle de acesso é o
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Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Segurança da Informação · Controle de acesso e IAM · Inédita, estilo FCC
Questão 3 de 3
Em um modelo de controle de acesso, cada documento recebe um rótulo de sensibilidade (reservado, secreto, ultrassecreto) e cada usuário, um nível de habilitação. O acesso é decidido por uma política central, e o usuário não pode alterar os rótulos nem repassar permissões. Trata-se do modelo
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Mais duas questões deste tópico estão em Questões.
Flashcards gerados
| Frente | Verso |
|---|---|
| Identificação × autenticação × autorização | Identificar é dizer quem é; autenticar é provar; autorizar é definir o que pode fazer. |
| Três fatores de autenticação | Algo que você sabe (senha), tem (celular, token) e é (biometria). |
| ABAC | Controle de acesso por atributos do usuário, do recurso e do contexto. Exemplo: Vê a folha quem é do RH, em horário de expediente e na rede interna. |
| SSO × federação | SSO é um login para vários sistemas da organização; federação é aceitar o login feito em outra organização, por SAML ou OIDC. Exemplo: Entrar num sistema estadual com a conta do gov.br. |
| O que é PAM? | Gestão de acessos privilegiados, com cofre de senhas, acesso só quando necessário, MFA e gravação das sessões. |
Ligação com o estudo de caso
Num caso de sistema ou API, proponha: autenticação com MFA (ou OIDC com o gov.br), autorização por papéis (RBAC) com menor privilégio, revisão periódica dos acessos, desativação automática no desligamento do servidor e registro de todos os acessos privilegiados. Cada medida, uma frase de justificativa.
Fontes da lição
- Edital nº 01/2026, Anexo II, Segurança da Informação (fontes/edital-01-2026.txt).
- OWASP Top 10:2025, A01 Controle de Acesso Quebrado e A07 Falhas de Autenticação (fontes/owasp-top10-2025/owasp-top10-2025-pt-BR.md): negar por padrão, menor privilégio e MFA.
- NIST SP 800-63B, Digital Identity Guidelines: autenticação
Claude explica
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Pratique fora do site
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