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Concordância, pontuação e pronomes

Prioridade Alta 18 min de leitura Status: Não visto Lido Praticado Dominado

Do zero

Uma frase é uma equipe: cada palavra tem um papel e as peças precisam combinar.

  • Concordância é o uniforme combinando com o time. Se o sujeito está no plural, o verbo veste plural: “As falhas apareceram”. A dificuldade da prova é achar o sujeito, que às vezes vem depois do verbo ou nem existe.
  • Pontuação é a sinalização da estrada. A vírgula não marca respiração: marca a estrutura. Ela separa o que está fora do lugar ou é extra, e nunca corta a ligação direta entre sujeito e verbo, ou entre verbo e complemento.
  • Pronomes são atalhos que apontam para algo. “O relatório chegou; ele traz falhas.” A prova cobra se o atalho está no lugar certo (antes ou depois do verbo) e se aponta para o termo certo.

Frase para guardar: ache o sujeito antes de conferir o verbo; a vírgula nunca separa sujeito e verbo; o pronome vai para antes do verbo quando uma palavra o puxa.

Em 1 minuto

  • Sujeito depois do verbo também manda: “Faltam três etapas”, “Existem falhas”.
  • Haver no sentido de existir não tem sujeito: fica no singular, e o auxiliar também (“Havia falhas”, “Deve haver falhas”). “Fazer” indicando tempo também: “Faz dois anos”.
  • Vírgula: isola o que está deslocado ou é explicação (adjunto adverbial no início, aposto, vocativo, oração explicativa). Não separa sujeito de verbo.
  • Pronome átono: não começa frase (“Sabe-se”, não “Se sabe”); vai antes do verbo quando há palavra atrativa (“Não se sabe”).

Exemplo concreto: uma frase de relatório, corrigida

Frase com cinco erros, do tipo que a FCC usa nas alternativas:

“Os auditores do Tribunal, constataram que haviam falhas nos sistemas, cujo os registros não eram revisados e que não se encontrou-se o responsável.”

Corrigida:

“Os auditores do Tribunal constataram que havia falhas nos sistemas, cujos registros não eram revisados, e que não se encontrou o responsável.”

Erro Regra
“Tribunal, constataram” Vírgula entre sujeito e verbo é proibida
“haviam falhas” Haver = existir é impessoal: “havia”
“cujo os registros” “Cujo” concorda com o possuído e dispensa artigo: “cujos registros”
“não se encontrou-se” Pronome duplicado; com “não”, só a próclise: “não se encontrou”
“revisados e que” A oração explicativa aberta por vírgula (“, cujos registros…”) precisa ser fechada por outra vírgula

Concordância verbal: os casos que caem

Caso Certo Errado
Sujeito depois do verbo Ocorreram dois incidentes. Ocorreu dois incidentes.
Haver = existir ou ocorrer Houve problemas. Deve haver soluções. Houveram problemas. Devem haver soluções.
Fazer e haver indicando tempo Faz dois anos. Há meses não chove. Fazem dois anos.
Passiva sintética Analisaram-se os processos. Analisou-se os processos.
Verbo com preposição + se (sujeito indeterminado, não é passiva) Precisa-se de técnicos. Precisam-se de técnicos.
“Que” relativo Fui eu que fiz. Fomos nós que pedimos. Fui eu que fez.
“A maioria de” + plural A maioria dos servidores votou (ou votaram). — (as duas formas são aceitas)

Para achar o sujeito, pergunte ao verbo “o que” ou “quem”: “O que ocorreu? Dois incidentes.” Se a resposta está no plural, o verbo também.

Concordância nominal: palavras que variam e que não variam

Palavra Como se comporta Exemplo
anexo, incluso, obrigado, mesmo, quite Variam com o nome Seguem anexas as planilhas. Elas disseram “obrigadas”.
em anexo Não varia Seguem em anexo as planilhas.
meio (= um pouco) Advérbio: não varia Ela ficou meio preocupada.
meio (= metade) Varia Comeu meia porção.
bastante Varia quando significa “muitos” Havia bastantes motivos. Estavam bastante atentos.
menos Nunca varia Menos falhas.
é proibido, é necessário Sem artigo, não varia; com artigo, concorda É proibido entrada. É proibida a entrada.

Pontuação: o que a vírgula faz e o que ela não faz

Use vírgula para:

  • adjunto adverbial deslocado para o início: “Durante a auditoria, a equipe identificou falhas”;
  • aposto e vocativo: “O TCE-GO, órgão de controle externo, publicou…”; “Senhores, a sessão começou”;
  • oração explicativa: “Os servidores, que fizeram o curso, foram promovidos” (todos fizeram);
  • conjunção deslocada: “A equipe, porém, discordou”;
  • orações coordenadas com sujeitos diferentes ligadas por “e”: “A equipe revisou o código, e o gestor aprovou a entrega”.

Não use vírgula entre:

  • sujeito e verbo. Errado: “Os auditores do Tribunal, analisaram os contratos”;
  • verbo e complemento. Errado: “A diretoria solicitou, um novo plano”;
  • um termo e a oração restritiva que o delimita. “O relatório que foi enviado ontem apresenta erros” fica sem vírgulas quando há vários relatórios e se fala só do enviado ontem.

Ponto e vírgula separa partes longas que já têm vírgulas por dentro ou orações coordenadas extensas. Dois-pontos anunciam enumeração, explicação ou citação.

Pronomes: colocação, relativos e demonstrativos

Colocação do pronome átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos):

Regra Exemplo
Não se começa frase com pronome átono Sabe-se que o prazo terminou.
Palavra atrativa puxa o pronome para antes (próclise) Não se sabe. O dado que nos enviaram. Tudo se resolveu. Aqui se decide.
Futuro do presente ou do pretérito, sem atrativo: mesóclise Informar-se-á o resultado. Far-se-ia a revisão.

Palavras atrativas: negativas (não, nunca, ninguém), pronomes relativos (que, quem, o qual), conjunções subordinativas (quando, se, porque), advérbios sem vírgula depois (aqui, já, sempre) e pronomes indefinidos (tudo, alguém, todos).

Pronome no lugar do complemento:

  • Objeto direto vira o, a, os, as: “Entregou o relatório” → “Entregou-o”.
  • Objeto indireto (a alguém) vira lhe, lhes: “Entregou o relatório ao gestor” → “Entregou-lhe o relatório”.
  • Verbo terminado em r, s ou z perde a letra e o pronome vira lo, la: “analisar os contratos” → “analisá-los”; “fiz o teste” → “fi-lo”.
  • Verbo terminado em som nasal ganha n: “fizeram a revisão” → “fizeram-na”.

Relativos:

  • A preposição exigida pelo verbo vem antes do relativo: “O sistema de que preciso” (precisar de); “A norma a que me refiro” (referir-se a).
  • “Cujo” indica posse, concorda com o possuído e não aceita artigo depois: “O sistema cujos dados vazaram”.
  • “Onde” retoma lugar físico: “A sala onde ficam os servidores”. Para reunião ou situação, use “em que”.

Demonstrativos: “este” aponta para o que vai ser dito ou está perto de quem fala; “esse”, para o que já foi dito. Para retomar dois termos: “este” é o mais próximo (o último), “aquele” o mais distante (o primeiro).

Como a FCC cobra

“A concordância está em conformidade com a norma-padrão em:” e “Está correta a pontuação de:”. Os erros vêm escondidos em sujeitos pospostos, no verbo haver e em vírgulas entre sujeito e verbo.

  • Frases com o sujeito depois do verbo (existir, ocorrer, faltar, restar).
  • Haver e fazer impessoais, inclusive com auxiliar (“deve haver”).
  • Inserção ou retirada de vírgula e o efeito no sentido.
  • Substituição de um termo por pronome (“entregou o relatório” = “entregou-o”; “entregou ao gestor” = “entregou-lhe”).
  • Colocação pronominal com palavra atrativa.

Pegadinhas

  • “Haviam muitas falhas.” Errado: haver = existir fica no singular: “havia”.
  • “Devem haver soluções.” Errado: o auxiliar acompanha o haver impessoal: “deve haver”.
  • “Existe, nos relatórios, várias inconsistências.” Errado: o sujeito “várias inconsistências” pede “existem”.
  • “O sistema cujo o código vazou.” Errado: depois de “cujo” não vai artigo.
  • “Não encontrou-se o responsável.” Errado: “não” puxa o pronome: “não se encontrou”.
  • “Seguem anexo as planilhas.” Errado: “anexo” concorda: “anexas” (ou use “em anexo”).

Explique com suas palavras

Explique a um colega por que “Haviam falhas no sistema” está errado e por que “Existiam falhas no sistema” está certo. Depois explique quando a vírgula não pode aparecer.

  1. Escreva sem olhar a lição, com frases curtas e um exemplo seu.
  2. Onde travar ou precisar de jargão, há uma lacuna: releia só essa parte.
  3. Compare com a explicação-modelo e reescreva o que faltou.

Fica salva neste navegador.

Comparar com uma explicação-modelo

“Haver” com o sentido de existir é um verbo sem sujeito. Como não há sujeito para combinar, ele fica sempre no singular: “havia falhas”. Já “existir” tem sujeito, que aqui é “falhas”. Como o sujeito está no plural, o verbo vai para o plural: “existiam falhas”, mesmo com o sujeito depois do verbo.

A vírgula não pode separar o sujeito do verbo nem o verbo do complemento, porque eles formam uma ligação direta. “Os auditores, analisaram” está errado. A vírgula serve para isolar o que é extra ou está fora do lugar, como “Durante a auditoria, a equipe analisou os contratos”.

Teste-se

Língua Portuguesa · Concordância, pontuação e pronomes · Inédita, estilo FCC

Questão 1 de 3

A concordância verbal está em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa em:

Alternativas

A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.

Toque longo numa alternativa para riscá-la.

Língua Portuguesa · Concordância, pontuação e pronomes · Inédita, estilo FCC

Questão 2 de 3

Está corretamente pontuada a frase:

Alternativas

A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.

Toque longo numa alternativa para riscá-la.

Língua Portuguesa · Concordância, pontuação e pronomes · Inédita, estilo FCC

Questão 3 de 3

A colocação do pronome átono está de acordo com a norma-padrão em:

Alternativas

A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.

Toque longo numa alternativa para riscá-la.

Mais duas questões deste tópico estão em Questões.

Flashcards gerados

FrenteVerso
Haver no sentido de existir vai para o plural? Não. É impessoal e fica no singular, e o auxiliar também. Exemplo: “Havia falhas”; “Deve haver soluções”.
Sujeito depois do verbo também manda na concordância? Sim. Pergunte ao verbo “o quê?” ou “quem?” para achar o sujeito. Exemplo: “Faltam três etapas”; “Ocorreram dois incidentes”.
Onde a vírgula nunca entra? Entre sujeito e verbo e entre verbo e complemento. Exemplo: Errado: “A diretoria solicitou, um novo plano”.
Pronome átono pode abrir a frase? Não na norma-padrão. Use ênclise; com futuro do presente ou do pretérito, mesóclise. Exemplo: “Sabe-se que…”; “Informar-se-á o resultado”.
Preposição antes do pronome relativo, quando? Quando o verbo da oração pede a preposição. Exemplo: “O sistema de que preciso” (precisar de); “a norma a que me refiro” (referir-se a).

Ligação com o estudo de caso

No estudo de caso, um erro de concordância ou uma vírgula entre sujeito e verbo tira pontos no critério de correção gramatical (Edital nº 01/2026, item 11.11). Releia cada frase procurando o sujeito do verbo principal e confira se nenhuma vírgula o separa do verbo.

Fontes da lição

  • Edital nº 01/2026, Anexo II, Língua Portuguesa (fontes/edital-01-2026.txt).
  • Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova gramática do português contemporâneo (concordância, pontuação e colocação dos pronomes átonos).

Claude explica

Tire dúvidas sobre este tema no Claude: o site copia o pedido com a lição e abre uma conversa nova, na sua conta. Confira na fonte qualquer fato de lei ou de norma.

Pratique fora do site

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