Criptografia e assinatura digital
Do zero
Criptografia é trancar a informação para que só quem tem a chave consiga abrir. Há dois jeitos de fazer isso.
- Simétrica: uma chave só. É como a chave de casa: a mesma tranca e destranca. Funciona bem, mas tem um problema. Para um amigo entrar, você precisa entregar uma cópia, e se alguém copiar no caminho, entra também.
- Assimétrica: um par de chaves. Imagine que você distribui cadeados abertos com o seu nome (a chave pública). Qualquer pessoa pode colocar uma carta numa caixa e fechar com o seu cadeado. Só você abre, com a chave que nunca sai do seu bolso (a chave privada). Ninguém precisou levar segredo nenhum pelo caminho.
A assinatura digital usa o par ao contrário. Você tem um carimbo que só você possui (a chave privada) e todos têm o molde para conferir se o carimbo é seu (a chave pública). Se o documento mudar depois de carimbado, o molde não bate mais.
Falta uma peça: como saber que aquele cadeado com o seu nome é mesmo seu? Para isso existe o certificado digital, uma espécie de RG da chave pública, emitido e assinado por uma Autoridade Certificadora, que faz o papel de cartório.
Frase para guardar: pública do destinatário para cifrar; privada do remetente para assinar; o certificado diz de quem é a chave pública.
Em 1 minuto
- Simétrica (AES): uma chave para cifrar e decifrar. Rápida; o problema é distribuir a chave.
- Assimétrica (RSA, curvas elípticas): par de chaves. Cifra-se com a pública do destinatário; só a privada dele decifra.
- Hash (SHA-256): resumo de tamanho fixo, de mão única. Garante integridade; não se “decifra”. MD5 e SHA-1 estão obsoletos.
- Assinatura digital: hash do documento cifrado com a chave privada do autor. Garante autenticidade, integridade e não repúdio, não sigilo.
- Certificado digital (padrão X.509): liga uma chave pública a um titular e é assinado por uma Autoridade Certificadora (AC). Não contém a chave privada.
Exemplo concreto: o ofício assinado do TCE-GO
O auditor assina digitalmente um ofício em PDF e o envia a uma prefeitura.
- O programa calcula o hash do PDF (uma impressão digital de 256 bits).
- Cifra esse hash com a chave privada do auditor, guardada no token ou cartão dele. O resultado é a assinatura, anexada ao PDF com o certificado do auditor.
- A prefeitura abre o PDF. O leitor decifra a assinatura com a chave pública do certificado e recalcula o hash do arquivo recebido.
- Se os dois hashes forem iguais, o ofício não foi alterado (integridade) e foi assinado por quem detém aquela chave privada (autenticidade). O auditor não pode negar a autoria (não repúdio).
- Repare: qualquer um consegue ler o PDF. Assinar não é esconder. Para sigilo, seria preciso também cifrar.
Comparação: o que cada técnica garante
| Técnica | Confidencialidade | Integridade | Autenticidade | Não repúdio |
|---|---|---|---|---|
| Cifra simétrica | Sim | — | — | — |
| Cifra com a chave pública do destinatário | Sim | — | — | — |
| Hash sozinho | — | Sim | — | — |
| HMAC (hash com chave compartilhada) | — | Sim | Sim | Não: as duas partes têm a chave |
| Assinatura digital | Não | Sim | Sim | Sim |
| Simétrica | Assimétrica | |
|---|---|---|
| Chaves | Uma, compartilhada | Par: pública e privada |
| Velocidade | Rápida | Lenta |
| Uso típico | Cifrar grandes volumes (disco, dados em trânsito) | Trocar chaves e assinar |
| Exemplos | AES (DES e 3DES são legados) | RSA, ECC; Diffie-Hellman para combinar chaves |
Na prática, as duas trabalham juntas. No HTTPS (TLS), a parte assimétrica serve para autenticar o servidor (pelo certificado) e combinar uma chave de sessão; a conversa em si é cifrada com essa chave simétrica, que é rápida. É a criptografia híbrida.
Infraestrutura de chaves públicas (ICP)
Uma ICP é o conjunto de regras, entidades e sistemas que emite e gerencia certificados:
- Autoridade Certificadora (AC): emite, assina, renova e revoga certificados. No topo está a AC Raiz, que certifica as demais.
- Autoridade de Registro (AR): confere a identidade do solicitante (às vezes presencialmente) antes de a AC emitir.
- Revogação: um certificado comprometido entra na LCR (lista de certificados revogados) ou é consultado on-line pelo protocolo OCSP.
- Cadeia de confiança: o navegador confia no certificado do site porque ele foi assinado por uma AC, que foi assinada pela AC Raiz em que o navegador já confia.
No Brasil, a ICP-Brasil existe para garantir a autenticidade, a integridade e a validade jurídica de documentos eletrônicos (MP nº 2.200-2/2001, art. 1º), tem como AC Raiz o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, o ITI (art. 13), e as declarações de documentos assinados com certificado ICP-Brasil presumem-se verdadeiras em relação aos signatários (art. 10, § 1º). Os certificados mais comuns são o A1, guardado em arquivo no computador, e o A3, guardado em hardware (token ou cartão), de onde a chave privada não sai [CONFERIR: tipos de certificado definidos nas normas da ICP-Brasil; o texto ainda não está em fontes/].
Como a FCC cobra
“Para garantir o sigilo, João cifra com a chave ___ de Maria; para assinar, usa a sua chave ___.” Pública de Maria para sigilo; privada de João para assinar. É a questão mais repetida do tema.
- Qual chave se usa em cada operação (cifrar, decifrar, assinar, verificar).
- Que propriedades a assinatura digital garante (e que ela não garante sigilo).
- O que um certificado digital contém e quem o emite.
- Hash: mão única, tamanho fixo, integridade; algoritmos obsoletos.
- Simétrica × assimétrica e o uso híbrido no TLS.
Pegadinhas
- “A assinatura digital garante a confidencialidade do documento.” Falso: garante autenticidade, integridade e não repúdio.
- “Para enviar um segredo a Maria, João cifra com a própria chave privada.” Falso: isso seria assinar; qualquer um decifraria com a pública de João.
- “O certificado digital contém a chave privada do titular.” Falso: contém a chave pública; a privada nunca sai do titular.
- “O hash pode ser decifrado para recuperar o texto original.” Falso: é de mão única.
- “A criptografia assimétrica é mais rápida que a simétrica.” Falso: é bem mais lenta; por isso o TLS usa as duas.
- “HMAC garante não repúdio.” Falso: as duas partes têm a mesma chave; qualquer uma poderia ter gerado o código.
Explique com suas palavras
Explique a um colega por que, para mandar um segredo, se usa a chave pública do destinatário, e para assinar, a chave privada de quem assina. Use uma analogia sua.
- Escreva sem olhar a lição, com frases curtas e um exemplo seu.
- Onde travar ou precisar de jargão, há uma lacuna: releia só essa parte.
- Compare com a explicação-modelo e reescreva o que faltou.
Fica salva neste navegador.
Comparar com uma explicação-modelo
A chave pública todo mundo pode ter; a privada só o dono tem. Se eu quero que só a Maria leia, tranco com a chave pública dela: qualquer um consegue trancar, mas só a chave privada da Maria destranca. É como um cadeado aberto que ela me deu.
Para assinar é o contrário: quero provar que fui eu. Então uso a minha chave privada, que só eu tenho, e qualquer pessoa confere com a minha chave pública. Se o documento mudar, a conferência falha. Por isso a assinatura prova autoria e integridade, mas não esconde nada: todos conseguem ler.
Teste-se
Segurança da Informação · Criptografia e assinatura digital · Inédita, estilo FCC
Questão 1 de 3
João precisa enviar a Maria um arquivo que só ela consiga ler, usando criptografia assimétrica. Para isso, João deve cifrar o arquivo com
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Segurança da Informação · Criptografia e assinatura digital · Inédita, estilo FCC
Questão 2 de 3
Um auditor assina digitalmente um ofício em PDF com seu certificado digital e o envia por e-mail. A assinatura digital garante, quanto ao ofício,
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Segurança da Informação · Criptografia e assinatura digital · Inédita, estilo FCC
Questão 3 de 3
Um certificado digital no padrão X.509, emitido por uma Autoridade Certificadora (AC), contém
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Mais duas questões deste tópico estão em Questões.
Flashcards gerados
| Frente | Verso |
|---|---|
| Assinar digitalmente usa qual chave? | A chave privada de quem assina; a verificação usa a chave pública dele. Exemplo: O auditor assina o ofício com o token; a prefeitura confere com o certificado dele. |
| Simétrica × assimétrica | Simétrica usa uma chave compartilhada e é rápida; assimétrica usa um par (pública e privada) e é lenta. Exemplo: AES é simétrica; RSA é assimétrica. |
| AC × AR na ICP | A Autoridade Certificadora emite, assina e revoga certificados; a Autoridade de Registro confere a identidade do solicitante. |
| Como saber se um certificado foi revogado? | Pela lista de certificados revogados (LCR) ou por consulta on-line via OCSP. |
| Criptografia híbrida | Usa a assimétrica para autenticar e combinar uma chave de sessão, e a simétrica, mais rápida, para cifrar os dados. É o que o TLS faz. |
Ligação com o estudo de caso
Em casos de API ou de sistema para jurisdicionados, a criptografia entra em três frases: “HTTPS (TLS) em todas as comunicações”, “dados sensíveis cifrados em repouso com AES” e “documentos e lotes enviados assinados com certificado ICP-Brasil, garantindo autenticidade, integridade e não repúdio”. Diga sempre qual propriedade cada medida garante.
Fontes da lição
- Edital nº 01/2026, Anexo II, Segurança da Informação (fontes/edital-01-2026.txt).
- OWASP Top 10:2025, A04 Falhas Criptográficas (fontes/owasp-top10-2025/owasp-top10-2025-pt-BR.md): algoritmos obsoletos e armazenamento de senhas.
- William Stallings, Criptografia e segurança de redes (simétrica, assimétrica, hash, MAC e assinatura).
- RFC 5280 (certificados X.509 e listas de revogação)
Claude explica
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