VPN, balanceamento de carga, proxies, firewalls e redes sem fio
Do zero
Cinco peças que cuidam do caminho entre o usuário e o sistema:
- VPN (rede privada virtual) é um túnel blindado por dentro da internet. Quem trabalha de casa conversa com a rede do Tribunal como se estivesse no prédio, e quem olha o tráfego no meio do caminho só vê dados cifrados.
- Balanceador de carga é o organizador de filas de um banco com vários caixas: cada cliente que chega é mandado para um caixa livre, e, se um caixa fecha, ninguém mais é mandado para ele.
- Proxy é um intermediário que fala em nome de alguém. O proxy direto (forward) fala em nome dos usuários quando eles saem para a internet, como um despachante. O proxy reverso fala em nome dos servidores quando a internet chega até eles, como uma recepção que atende e encaminha para a sala certa, sem revelar o caminho.
- Firewall é a portaria, com a lista de quem pode passar por qual porta (os tipos estão na lição de defesas de Segurança da Informação).
- Rede sem fio (Wi-Fi) leva a rede pelo ar, o que exige cuidado extra: qualquer um por perto recebe o sinal, então tudo precisa ser cifrado e cada usuário, identificado.
Frase para guardar: VPN é túnel cifrado; balanceador reparte e tira do ar quem falha; proxy direto protege quem sai, proxy reverso protege quem recebe; Wi-Fi corporativo é WPA3 com usuário individual.
Em 1 minuto
- VPN site a site liga duas redes (a sede e uma regional), entre gateways; VPN de acesso remoto liga um usuário à rede. Tecnologias: IPsec, VPN TLS (SSL VPN) e WireGuard.
- IPsec: o AH autentica e garante a integridade, mas não cifra; o ESP cifra (confidencialidade) e também pode autenticar. O IKE negocia as chaves. Modo transporte protege só a carga do pacote (o cabeçalho IP original segue visível), entre dois hosts; modo túnel encapsula o pacote IP inteiro dentro de um novo, típico entre gateways. Quem cifra é sempre o ESP: com AH, mesmo no túnel, nada é cifrado, só autenticado (e o AH protege também os campos fixos do cabeçalho IP).
- Split tunneling: só o tráfego para a rede do órgão vai pela VPN; o resto sai direto pela internet do usuário. Mais leve, menos controle.
- Balanceamento: na camada 4, decide por IP e porta; na camada 7, pelo conteúdo HTTP (URL, cabeçalhos, cookies). Algoritmos: round robin (rodízio), menos conexões (least connections), hash do IP de origem e versões ponderadas. Health check tira do rodízio o servidor que não responde; sessão persistente (sticky) mantém o usuário no mesmo servidor.
- NAT troca o endereço privado pelo público na saída; o PAT (NAT com portas) põe muitos computadores atrás de um só IP público.
- Wi-Fi: padrões 802.11n (Wi-Fi 4), 802.11ac (Wi-Fi 5), 802.11ax (Wi-Fi 6 e 6E) e 802.11be (Wi-Fi 7). Segurança: WEP é quebrado; WPA2 usa AES (CCMP); no WPA3-Personal ainda há uma senha compartilhada, mas o aperto de mão do WPA2 é trocado pelo SAE, que resiste a ataques de dicionário fora do ar e protege o tráfego já capturado mesmo que a senha vaze depois. No modo Enterprise (WPA2 ou WPA3) não há senha compartilhada: cada usuário entra com a própria credencial, via 802.1X e servidor RADIUS.
- 2,4 GHz alcança mais longe e atravessa melhor as paredes, mas tem só três canais sem sobreposição (1, 6 e 11) e mais interferência; 5 GHz e 6 GHz têm mais canais e mais velocidade, com menos alcance.
Exemplo concreto: o caminho até o portal e o acesso de casa
Internet ──► Firewall ──► Proxy reverso e balanceador (termina o TLS, health check)
├──► Servidor web 1
├──► Servidor web 2
└──► Servidor web 3 (fora do ar: o health check o tirou do rodízio)
Teletrabalho (notebook) ──► VPN (TLS ou IPsec, com MFA) ──► Firewall ──► Sistemas internos
- O cidadão acessa o portal. Quem responde é o proxy reverso: ele termina o TLS, olha a URL e escolhe um servidor pelo algoritmo de menos conexões. O endereço dos servidores internos nunca aparece.
- O servidor 3 travou. O health check do balanceador percebe em segundos e para de mandar usuários para ele, sem ninguém notar.
- Um auditor em casa abre a VPN com usuário, senha e um segundo fator. O tráfego para os sistemas internos vai cifrado pelo túnel. Sem split tunneling, até a navegação comum dele passa pelo filtro do Tribunal.
- No prédio, o Wi-Fi corporativo usa WPA3-Enterprise: o notebook se autentica com o usuário do Active Directory, via 802.1X e RADIUS. Os visitantes usam outra rede, isolada da interna.
Comparação: VPN, proxies, balanceamento e Wi-Fi
| AH | ESP | |
|---|---|---|
| Confidencialidade (cifra) | Não | Sim |
| Integridade e autenticação | Sim | Sim (opcional) |
| Uso hoje | Raro | O padrão nas VPNs IPsec |
| Modo transporte | Modo túnel | |
|---|---|---|
| O que protege | Só a carga do pacote | O pacote IP inteiro, dentro de um novo |
| Cabeçalho IP original | Visível | Encapsulado (cifrado, se for ESP) |
| Uso típico | Entre dois hosts | Entre gateways (VPN site a site) |
| Proxy direto (forward) | Proxy reverso | |
|---|---|---|
| Em nome de quem | Dos clientes que saem para a internet | Dos servidores que recebem da internet |
| Para quê | Filtrar sites, fazer cache, registrar acessos | Esconder os servidores, terminar o TLS, balancear, fazer cache |
| Exemplos | Squid | Nginx, HAProxy, Apache |
| Algoritmo de balanceamento | Como escolhe o servidor | Bom quando |
|---|---|---|
| Round robin | Um de cada vez, em rodízio | Servidores iguais, requisições parecidas |
| Round robin ponderado | Rodízio proporcional a pesos | Servidores de capacidades diferentes |
| Menos conexões | O que tem menos conexões ativas | Requisições de duração variada |
| Hash do IP de origem | O mesmo cliente vai sempre ao mesmo servidor | É preciso manter a sessão sem cookies |
| Segurança Wi-Fi | Situação |
|---|---|
| Rede aberta | Sem cifra; só para visitantes, isolada |
| WEP | Quebrado em minutos; não usar |
| WPA (TKIP) | Obsoleto |
| WPA2 (AES-CCMP) | Ainda aceitável; a senha compartilhada é vulnerável a dicionário |
| WPA3-Personal (SAE) | Atual; senha compartilhada, mas resistente a dicionário fora do ar |
| WPA2 ou WPA3-Enterprise (802.1X) | Redes corporativas: credencial individual, conferida pelo RADIUS |
Como a FCC cobra
AH × ESP e modo transporte × túnel no IPsec, proxy direto × reverso, algoritmos de balanceamento e a segurança do Wi-Fi (WEP, WPA2, WPA3, 802.1X).
- VPN site a site × acesso remoto; split tunneling.
- Balanceamento na camada 4 × camada 7; health check e sessão persistente.
- NAT e PAT.
- Padrões 802.11 e as faixas de 2,4, 5 e 6 GHz.
- Firewalls e DMZ (com a lição de defesas).
Pegadinhas
- “O AH do IPsec garante a confidencialidade dos dados.” Falso: o AH autentica e protege a integridade, sem cifrar; quem cifra é o ESP.
- “O proxy reverso fica junto aos usuários, controlando os sites que eles acessam.” Falso: isso é o proxy direto; o reverso fica na frente dos servidores.
- “Esconder o SSID e filtrar endereços MAC tornam o Wi-Fi seguro.” Falso: o SSID aparece no tráfego, e o MAC pode ser falsificado; a proteção real é WPA2 ou WPA3.
- “A faixa de 2,4 GHz oferece mais velocidade e menos interferência que a de 5 GHz.” Falso: 2,4 GHz tem mais alcance, mas menos canais e mais interferência.
- “Com balanceador de carga, a queda de um servidor derruba os usuários de todos.” Falso: o health check tira o servidor com falha do rodízio, e os demais continuam atendendo.
Explique com suas palavras
Explique a um gestor a diferença entre um proxy direto e um proxy reverso, e por que o portal do Tribunal fica atrás de um proxy reverso com balanceamento.
- Escreva sem olhar a lição, com frases curtas e um exemplo seu.
- Onde travar ou precisar de jargão, há uma lacuna: releia só essa parte.
- Compare com a explicação-modelo e reescreva o que faltou.
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Comparar com uma explicação-modelo
O proxy direto trabalha para os usuários do órgão: quando alguém aqui dentro acessa um site, o pedido passa por ele, que pode bloquear sites proibidos, guardar cópias das páginas mais acessadas e registrar quem acessou o quê. O proxy reverso trabalha para os nossos servidores: quem vem da internet fala com ele, e ele repassa o pedido para o servidor certo, sem mostrar onde os servidores estão.
No portal, o proxy reverso funciona como uma recepção com vários atendentes atrás. Ele distribui os visitantes entre três servidores, para nenhum ficar sobrecarregado, e confere a toda hora se cada um está respondendo. Se um travar, para de mandar gente para ele, e o portal continua no ar.
Teste-se
SO, Redes e Nuvem · VPN, proxies e firewalls · Inédita, estilo FCC
Questão 1 de 3
Na arquitetura IPsec, o protocolo que garante a confidencialidade dos dados, cifrando a carga dos pacotes, é o
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
SO, Redes e Nuvem · VPN, proxies e firewalls · Inédita, estilo FCC
Questão 2 de 3
Na frente dos servidores web do portal, o Tribunal instalou um servidor que recebe as requisições vindas da internet, termina a conexão TLS, distribui as requisições entre os servidores internos e esconde os endereços deles. Esse servidor atua como
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
SO, Redes e Nuvem · VPN, proxies e firewalls · Inédita, estilo FCC
Questão 3 de 3
Num balanceador de carga, as requisições têm duração muito variada, e alguns servidores acumulam conexões longas. O algoritmo que envia cada nova requisição ao servidor com menor número de conexões ativas naquele momento é o
A–E escolhem, Enter confirma. Botão direito ou Shift + letra risca.
Toque longo numa alternativa para riscá-la.
Mais duas questões deste tópico estão em Questões.
Flashcards gerados
| Frente | Verso |
|---|---|
| IPsec, modo transporte × modo túnel | O transporte protege só a carga do pacote, entre dois hosts; o túnel encapsula o pacote IP inteiro num novo, entre gateways (com ESP, o original vai cifrado). |
| VPN site a site × acesso remoto | A site a site liga duas redes, entre gateways; a de acesso remoto liga um usuário à rede do órgão. |
| Split tunneling | Só o tráfego para a rede do órgão passa pela VPN; o resto sai direto pela internet do usuário. |
| NAT × PAT | O NAT troca o endereço privado pelo público; o PAT usa também as portas para pôr muitos computadores atrás de um só IP público. |
| Health check no balanceador | Teste periódico de cada servidor; quem não responde sai do rodízio até voltar a funcionar. |
Ligação com o estudo de caso
Num caso de acesso remoto ou de disponibilidade, monte a solução em camadas: VPN com MFA (ou acesso Zero Trust por aplicação) para o teletrabalho; firewall com negação por padrão; proxy reverso com TLS e WAF na frente do portal; balanceador com health check e pelo menos dois servidores; Wi-Fi corporativo WPA3-Enterprise com 802.1X, e rede de visitantes isolada.
Fontes da lição
- Edital nº 01/2026, Anexo II, Sistemas Operacionais, Redes e Computação em Nuvem (fontes/edital-01-2026.txt).
- James Kurose e Keith Ross, Redes de computadores e a internet (VPN, NAT, redes sem fio e segurança em redes).
- Arquitetura de segurança do IPsec (RFC 4301), AH (RFC 4302) e ESP (RFC 4303) [CONFERIR: os textos das RFCs ainda não estão em fontes/].
- Wi-Fi Alliance: segurança Wi-Fi (WPA3).
Claude explica
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Pratique fora do site
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